Os números que a Polícia acha baixo, no entanto, são dez vezes maiores que o permitido pelos Direitos Humanos Internacionais. Em 64 dias foram registrados 65 assassinatos, sendo 54 homicídios, quatro latrocínios, e seis casos de lesões corporais graves seguidos de morte.
Um assalto e um furto de dez em dez minutos apenas em Cuiabá em Várzea Grande. Somados, dão seis por hora; 144 por dia e 4.320 por mês. Enquanto isso, as tradicionais e já bastantes conhecidas, inclusive da própria Polícia, a “Bocas de Fumo”, que agora não vendem apenas maconha, mas todos os tipos de drogas, crescem como ervas daninas.
Paralelo à violência, a população também assiste cada dia maia assustada o crescimento dos locais usados por bandidos para usarem drogas, traçarem planos de roubos e até de morte. São as casas abandonadas, os terrenos baldios e as praças públicas, a maioria, principalmente nos bairros mais descentralizadas, mas também nos bairros nobre e nas áreas centrais.Abandona pelo poder público e pelos políticos que só aparecem em época de eleição, uma das praças localizadas na Morada do Ouro, por exemplo, é denunciada pela população como “ponto de encontro de bandidos, que se reúnem para usar drogas e traçar seus planos de violência.
Na Morada da Serra também existem dezenas de praças abandonadas, assim como canteiros centrais de avenidas, todos ousados, principalmente por traficantes e usuários de drogas, dia e noite. As casas abandonadas também se espalham por toda Cuiabá e Várzea Grande, inclusive em bairros mais nobres e nas áreas centrais dessas duas cidades.
Aliás, foi numa das praças abandonadas na Morada do Ouro que uma “mãe” deu à luz , ou abandonou um feto de seis meses em plena luz do dia na manhã deste sábado (3). “Aqui tem de tudo. De feto a planejamento de roubos. Sem contar que é aqui que os usuários de reúnem para cheirar cocaína, queimar crack e fumar maconha. A Polícia passa e não está nem ai para a bagaceira. E a gente é que sofre, tudo pelo abandono da praça”, denunciou uma moradora.
Revoltada com a falta de policiamento e o descaso do poder público e dos maus-políticos, dona Maria, uma mulher de 76 anos, moradora do bairro Dom Aquino, matriarca de uma família que já teve duas pessoas assassinadas pelo tráfico de drogas desabafa e cobra das autoridades para que combata o tráfico de drogas com muito rigor como solução para a diminuição da violência.
- “Não existem soluções para os nossos problemas. Perdi dois parentes e conheço dezenas de mães e avós que também até hoje sofrem com os mesmos problemas aqui e nos outros bairros. Só vejo a cadáver estendido no meio da rua ou em terrenos baldios. Só vejo é a imprensa falar e escrever que o tráfico de droga matou ou mandou matar e ninguém faz nada. Gente, meu marido era policial e ele sempre dizia que a Polícia só iria baixar a violência quando baixasse o tráfico. E isso nunca aconteceu por o tráfico só aumenta e o tráfico só mata. Talvez se amanhã os traficantes matarem um filhinho de papai da alta sociedade. Ai sim, pode ser que as coisas mudem”.
Redação 24 Horas News






